jueves, 26 de septiembre de 2013

Sete anos pulando na Chapada

Hoje, 26 de setembro, completa sete anos que cheguei no Brasil. Sempre fiquei pulando, a maioria das vezes no carro nesta estradas abençoadas por onde a gente anda, outras de pedra em pedra até chegar nesse lugares mágicos que a gente contempla cada dia e que nunca cansa de olhar novamente.
Mas o motivo de tanto pulo está na vontade de anunciar o Reino, de mostrar para todo mundo que vale a pena caminhar em comunidade, que nossa Igreja é sinal de vida para muitos e que Deus se faz presente na vida cotidiana, nas pessoas, especialmente as mais simples, que nos encontramos nesse percorrer cotidiano, nas comunidades, nos acontecimentos, nas lutas, na natureza, nos próprios fatos da vida.
Deus já me mostrou tanta coisa boa neste tempo que só posso agradecer por tudo isso. Não sei até onde eu ajudei às pessoas neste tempo, mas que ninguém duvide que eu fui ajudado demais, pois descobri e entendi um outro jeito de me relacionar com Deus e vivenciar minha fé, de me relacionar com as pessoas, de valorizar esse jeito simples que faz parte da vida de tantos, de tomar a vida com mais calma, de não achar que sei mais do que os outros.
É bom fazer memoria, mas a vida segue, e amanhã esperam novos trabalhos, novas pessoas, novos acontecimentos e em tudo isso Deus vai se fazer presente e vai me confiar que continue fazendo minha parte para construir seu Reino. Pode contar comigo, estou aí para o que der e vier!

viernes, 20 de septiembre de 2013

Papa Francisco: eu sou um pecador


Papa Francisco e P. Antonio Spadaro S.J.
Este Papa não tem jeito, cada dia nos desafia a pensar, a tomar postura diante do que acontece no mundo e na Igreja de hoje. A entrevista publicada ontem em varias revistas dos jesuítas do mundo todo e que está sendo capa dos jornais mais importantes é um motivo a mais para isso.
Francisco é alguém que desde o primeiro momento nos surpreende, já na primeira pergunta: «Quem é Jorge Mario Bergoglio?» A resposta é daquelas que ninguém espera: «Não sei qual possa ser a definição mais correta… Eu sou um pecador. Esta é a melhor definição. E não é um modo de dizer, um gênero literário. Sou um pecador». Numa sociedade e numa Igreja onde há tanta gente metido a santo, que alguém a quem muitos chamam de santidade, diga de inicio que a melhor definição dele é, sou um pecador, nos mostra como quem é de Deus vive de um jeito diferente. Só podemos experimentar a misericórdia quando nos sentimos necessitados dela.
Mas a coisa não fica aí, ele não tem medo de pergunta, de responder, sabendo que não é dono da verdade absoluta. Num jeito de viver a religiosidade tão individualista, ele nos diz que "ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado",  precisamos "sentir com a Igreja", destacando assim a importância da vida em comunidade para chegar a Deus, de viver a santidade nos afazeres do dia a dia.
Em palavras do Papa "aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto". A Igreja não pode continuar "se encerrando em pequenos preceitos", somos chamados a ser "ministros de misericórdia... capazes de aquecer o coração das pessoas", deve ser "uma Igreja que encontra novos caminhos, que é capaz de sair de si mesma e ir ao encontro de quem não a frequenta, de quem a abandonou ou lhe é indiferente", e pensa "nos divorciados recasados, casais homossexuais, outras situações difíceis. Como fazer uma pastoral missionária nestes casos?". Não podemos insistir tanto nas questões morais e sim em propor o Evangelho.
Ele diz claramente, sobre o papel da mulher, que  "é necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja", mas sem cair  num “machismo de saias”, pois "a mulher tem uma estrutura diferente do homem... A Igreja não pode ser ela própria sem a mulher e o seu papel. A mulher, para Igreja, é imprescindível".
Ele nos chama a "encontrar a Deus em todas as coisas" tendo "uma atitude contemplativa". Esta é uma atitude inspirada em Santo Inácio, pois a espiritualidade jesuítica está muito presente na vida do Papa. Mas sabendo que "neste procurar e encontrar Deus em todas as coisas fica sempre uma zona de incertezas", pois "se alguém tem a resposta a todas as perguntas, esta é a prova de que Deus não está com ela" (se liguem os donos da verdade!), "é um falso profeta, que usa a religião para si próprio". Diante disso "devemos deixar espaço ao Senhor, não às nossas certezas. É necessário ser humilde". O Papa nos chama a "ter a coragem de abrir novos espaços para Deus.Quem hoje procura sempre soluções disciplinares, quem tende de modo exagerado à “segurança” doutrinal, quem procura obstinadamente recuperar o passado perdido, tem uma visão estática e involutiva. E deste modo a fé torna-se uma ideologia entre tantas... Deus está na vida de cada pessoa... de cada um. Mesmo se a vida de uma pessoa foi um desastre..."
Devemos "ter esperança", "viver na fronteira", e ao rezar nos diz como é que ele faz, se perguntando "Que fiz por Cristo? Que faço por Cristo? Que farei por Cristo?".
Estas e outra muitas coisas que a gente só vai entender lendo e relendo, meditando, aprofundando no pensamento de um homem que é presença do Deus de Jesus Cristo, o Deus da MISERICÓRDIA.

miércoles, 18 de septiembre de 2013

Francisco: imagem clara de Jesus Cristo

Desde há muito tempo acredito neste jeito de ser e de viver, um jeito que me leva a estar mais perto de Deus. Quando fui ordenado sacerdote, mais de quinze anos atrás, escolhi como lema o texto do hino da Carta aos Filipenses, que diz que Cristo "sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens". Por isso esta atitude sempre é um desafio para mim.
Hoje fiquei feliz quando lendo uma noticia, vi como o Papa Francisco, na ordenação episcopal  do seu "esmoleiro", Konrad Krajewski, presidida pelo cardeal Giuseppe Bertello e celebrada na basílica de São Pedro, ontem 17 de setembro, ficou sentado no meio da assembleia, celebrando como mais um, mas sem presidir. 
Estas atitudes nos levam a ver um agir diferente daquele que até agora era comum, descer do trono, ficar no meio do povo, assemelhar-se ao comum dos batizados e batizadas. Nas comunidades têm gente que não entende que às vezes eu esteja celebrando mas não presidindo e seja outra pessoa, leigo ou leiga, quem preside a celebração. Acredito numa Igreja onde todos/as somos protagonistas da caminhada, onde qualquer pessoa pode nos ajudar a nos encontrarmos com Deus. Jesus Cristo é aquele que desce, que se torna mais um e nós nos empenhamos em subir, em ficar acima. Obrigado Francisco, verdadeira imagem de Cristo nos meio de nós! Deus me dei coragem cada dia para imitar seu exemplo!

sábado, 14 de septiembre de 2013

Deus foge da ostentação

Nas coisas do dia a dia somos chamados a descobrir os sinais do Reino, nas coisas simples, pois lendo o Evangelho a gente descobre que Deus foge da ostentação. Hoje participei da Primeira Eucaristia de cinco crianças-adolescentes da comunidade do Setor 04. Fico encantando quando vejo essas coisas, pois a gente percebe que não são feitas para se mostrar e sim por um sentimento de fé. 
Cresci numa realidade eclesial em que estes momentos de Primeira Comunhão eram motivo só para gastar dinheiro e por isso quando a gente vê coisas diferentes se encanta e da testemunho delas. Fazer realidade a Igreja dos pobres tem que se traduzir em atitudes concretas, que nos levem a descobrir o que realmente é importante. Para fazer festa, e estes momentos devem ser de festa e celebração, a gente não precisa gastar muita coisa e sim viver a alegria através da simplicidade, partilhar essa alegria que vem de Deus. 
Como gente de fé somos desafiados a isso, mostremos jeitos diferentes de viver, mais acordes com a proposta que Jesus Cristo nos faz. Assim desfrutaremos mais e seremos melhor presença de Deus.

miércoles, 11 de septiembre de 2013

Obras do Senhor, bendizei o Senhor!

O Cântico de Daniel (Dn 3, 57-88), que faz parte da oração das Laudes, nos leva a louvar a Deus pela criação, por todas as criaturas. Contemplar a natureza é sentir a presença de Deus. Muitos dias sinto essa experiência, mas nos dois dias que fiquei só na Chapada experimentei ainda mais essa mão de Deus, que faz coisas tão belas que só Ele sabe e pode fazer. 
Deus nos da a natureza como presente comum para toda a humanidade e ainda tem gente que se acha dono exclusivo dela e a destrói sem piedade. Diante disso me pergunto como pode existir uma espécie que não preserva aquilo que garante sua própria sobrevivência? 
Saibamos agradecer a Deus por tanta coisa linda que Ele coloca em nossa vida para nosso desfrute, olhemos com os olhos da vida tudo aquilo que está em nossa frente e sintamos nisso a presença do Criador. Obrigado Senhor! Louvado sejas por todas as criaturas!

martes, 3 de septiembre de 2013

CARTA DA 2ª AMPLIADA DAS CEBs REGIONAL NORDESTE 3 DO ANO DE 2013



            Nós, 70 missionários e missionárias, de dezenove dioceses e arquidioceses do Regional Nordeste 3, nos encontramos nos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2013 na paróquia Sagrado Coração de Jesus do Alto do Cabrito (Salvador-BA), para participar de mais um encontro que alimente nossa caminhada. Neste lugar de ruas estreitas, de gente simples, trabalhadora, encontramos o aconchego de quem desde a fé chamamos de irmãos e irmãs.
Um momento de oração deu inicio ao nosso encontro, para logo analisar a conjuntura sócio-eclesial com a ajuda de Ruben Siqueira, da CPT Regional. Partimos de uma frase do filósofo Antonio Gramsci: “Ser pessimista na análise e otimista na ação”, e a partir daí vimos àquilo que está marcando a vida social atual: os protestos nas ruas, o papel da mídia diante disso, a necessidade de uma reforma política, os problemas relacionados com a mineração e a exploração dos recursos naturais...
Podemos concluir diante da realidade que estamos num momento de apocalipse e que somos desafiados a reagir. Mas, ao mesmo tempo, descobrimos no Papa Francisco alguém que dialoga melhor com os pobres, com as comunidades de base.
Logo depois nos reunimos em três rancharias. A primeira, CEBs e o Grito dos Excluídos, assessorada pela Ir. Terezinha Foppa, da Diocese de Ruy Barbosa, nos leva a sentir a necessidade de, como CEBs, assumir o grito dos excluídos, as semanas sociais e a Campanha da Fraternidade como parte integrante de nossa missão em vista da construção de um projeto popular de sociedade rumo ao Reino de Deus, sem perder a motivação pela falta de apoio das autoridades eclesiásticas e o desinteresse do povo.
A segunda, Espiritualidade das Romarias e a Romaria do Padre Cícero, assessorada por Fr. Jorge Geraldo, da Arquidiocese de Salvador, nos faz cair na conta do divorcio clero-povo, da necessidade de resgatar na formação nos seminários um novo jeito de relacionamento dos pastores com o povo. Somos desafiados a dar continuidade às romarias em nossas comunidades. Sente-se a necessidade de estudar o documento de estudo da CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia” para recuperar a ideia de Igreja de CEBs.
A terceira rancharia, Juventude de ontem e de hoje, quais os desafios?, assessorada por Roberjane Ribeiro Nascimento, da Arquidiocese de Salvador,  nos faz um chamado sobre a saída dos jovens da Igreja, diante da falta de atrativo. Frente a isso deve surgir a necessidade de um projeto de Igreja que acolha sem preconceito, com uma linguagem adequada, juvenil, tendo em conta a realidade social diferente e o novo conceito de família.
Encerramos o primeiro dia com um passeio no Pelourinho e uma animada noite cultural.
Nosso domingo começou com a celebração eucarística, para depois tomar consciência da luta do povo tupinambá de Olivença e nos posicionar como CEBs diante das perseguições que estão sofrendo. Foi avaliada a caminhada do Regional e o andamento deste encontro, para finalizar fazendo os encaminhamentos para o 13º Intereclesial, a programação para o ano 2014 e a oração de envio.
Agradecemos a Deus pela possibilidade de ter nos encontrado mais uma vez e a partir da reflexão ter enxergado pistas para fazer realidade seu projeto em nosso meio, especialmente entre os pobres.
Alto do Cabrito, Salvador - BA