jueves, 28 de febrero de 2013

Obrigado Bento XVI


Sou simplesmente um peregrino que começa a última etapa da sua peregrinação sobre esta terra. Com estas palavras despedia o já Papa emérito Bento XVI seu pontificado. Ao longo destes quase oito anos tem sido muitas as coisas boas que ele fez, muitas delas provas de coragem, pois eram verdadeiros pepinos, mas acho que o que ele tem feito nestas últimas semanas desde que anunciou sua renuncia tem sido a maior prova de coragem. Com pouco a ganhar e muito a perder deu um passo, que será decisivo na vida futura da Igreja e que desde que fiquei sabendo vi como um sinal do Reino. Deus nos fala através das pessoas e sem dúvida tem nos falado através de Bento XVI. Ele mesmo falou que não tem sido fácil dar este passo, mas ao mesmo tempo que na oração Deus ajudou ele tomar a melhor decisão para a Igreja. Diante destas atitudes só falta reconhecer a coragem e rezar para que seja eleito aquele que melhor possa ajudar a Igreja a ser presença de Deus no meio de um mundo que tanto precisa Dele. Obrigado Bento XVI: 

lunes, 25 de febrero de 2013

As CEBs continuam construindo o Reino

Para mim não faz muito sentido viver a fé em Jesus Cristo fora da comunidade. Por isso acredito na caminhada das CEBs como um elemento fundamental na vida da Igreja. Neste final de semana nos encontramos em Feira de Santana mais de cinquenta pessoas, representando vinte e uma das vinte cinco dioceses que fazem parte do nosso Regional Nordeste 3. Juntos refletimos sobre como ser Igreja de CEBs nos dias atuais a partir do que o 12º Intereclesial nos disse e através das rancharias, seguindo a linguagem do próximo Intereclesial que acontecerá em janeiro em Juazeiro do Norte, tratamos sobre as transformações sociais e a vivência da fé; as CEBs no Contexto Urbano; uma Opção pelos pobres a partir do Documento de Aparecida; Justiça e Profecia na construção do Reino e as CEBs conquistas de ontem e de hoje.
Posso dizer que saíram coisas muito interessantes, que sem dúvida nos ajudam em nossa vivência cristã. Continuemos construindo o Reino, depende de cada um de nós que assim seja. 

sábado, 16 de febrero de 2013

Ser testemunha nas coisas pequenas

O Reino se constrói a partir das coisas pequenas, dos detalhes, de coisas que passam despercebidas para muita gente, mas que são importantes, grandes aos olhos de Deus. Tem mais ou menos uma hora que cheguei de celebrar a eucaristia na comunidade de Pau de Colher e ali fui testigo de uma coisa que me surpreendeu, pois não esperava. Depois da comunhão Zé Antonio se levantou e fez uma oração pelo Papa Bento XVI. Foi para mim um sinal de comunhão com a Igreja, um expressar a preocupação pela saúde do Papa já idoso e ao mesmo tempo de agradecimento para com aquele que ao longo de quase oito anos pegou o leme da barca de Jesus. O que muitos, que ocupam cargos na Igreja não fizeram, é feito por alguém, que desde a simplicidade daquele que passa sua vida mexendo com roça e gado, se torna testemunha para os outros, no mínimo para mim que estava lá.
São estas pessoas que me questionam e ao mesmo tempo me animam a continuar lutando para fazer realidade o Reino. É Zé Antonio, mas também a família que de noite tem coragem para ir mais de cinco quilômetros num cavalo e um jegue com um filho de sete anos e uma filha que ainda não completou um para participar da celebração. É a menina de treze anos que tem coragem para ficar na frente da comunidade e fazer a abertura da celebração de um jeito simples e ao mesmo tempo brilhante.
Sou feliz de poder fazer parte deste jeito de ser Igreja, de caminhar com as pequenas comunidades, de poder perceber e testemunhar estes sinais do Reino.

jueves, 14 de febrero de 2013

Uma decisão sábia

Um acontecimento inusual tem marcado a vida da Igreja nestes últimos dias, de fato já tem quase seiscentos anos que um Papa renunciou ao pontificado. Muitas coisas tem sido escritas ao respeito e eu também queria fazer minha reflexão, ainda mais neste blog que tem por título Sonhando com o Reino, pois para mim este não deixa de ser um sinal do Reino. Cada um pode ter sua opinião ao respeito, mas este fato vai marcar, na minha opinião positivamente, o futuro da Igreja. 
Assumir as limitações humanas próprias da idade é um sinal de maturidade e uma prova de humildade da parte daquele a quem ninguém obrigaria tomar essa decisão. Não podemos olvidar que o papa é humano e como tal, é partícipe daquilo que faz parte dessa condição. 
Alem disso, a vontade expressada de retirar-se da vida pública e de não interferir na eleição do futuro papa, nem no governo da Igreja são elementos a valorizar. Vejo com esperança este momento, é mais um elemento a ter em conta na vida de alguém cuja importância na vida da Igreja só será reconhecida com o passo dos anos. Ele tomou decisões que mostram sua grandeza humana e sua ampla visão da realidade. Só me cabe agradecer pelo que tem feito pela Igreja e que Deus dei para ele uma vida tranquila, onde possa se encontrar com Ele através da oração e o estudo dos seus mistérios na teologia, que ocupou tantos momentos em sua vida até agora. 

martes, 5 de febrero de 2013

O caminho continua



Sempre pensei que todo mundo é importante, mas ninguém é imprescindível. Quando alguém se torna imprescindível o sistema não funciona. Devemos sermos conscientes que a caminhada sempre continua, com pessoas diferentes, com jeitos novos... mas não pode parar.
Diante dos fatos que acontecem na vida as pessoas tomam decisões, nem sempre entendidas por todo mundo, mas que devem ser tomadas, para ver se isso provoca uma reação, que mude a realidade da qual fazemos parte e que nem sempre é contemplada acertadamente. Fazemos parte de uma história, que já é velha, mas ao mesmo tempo ainda é nova, pois ninguém sabe até onde vai chegar. As diferentes instituições perduram no tempo na medida em que preenchem a vida das pessoas e respondem aos seus anseios. Tudo depende da vida que comunicam através delas. Quando ficam obsoletas, aos poucos vão morrendo... Será que as instituições das quais a gente faz parte estão respondendo àquilo que as pessoas esperam? Só o tempo vai dizer, pois em certa medida somos prisioneiros do tempo.
Quem vem atrás vai ser o melhor termômetro para calibrar o trabalho daqueles que lhes precederam.

domingo, 3 de febrero de 2013

Uma Igreja que não é profética


Tem uma música que tem por título Religião Libertadora cuja letra diz:

È por causa do meu povo machucado que acredito em religião libertadora!
É por causa de Jesus ressuscitado que acredito em religião libertadora!

É por causa dos profetas que anunciam
Que batizam, que organizam, denunciam
É por causa de quem morre sem matar

É por causa dos pequenos e oprimidos
Dos seus sonhos, dos seus ais, dos seus gemidos
É por causa do meu povo injustiçado
Das ovelhas sem rebanho e sem pastor

É por causa do profeta que se cala
Mas até com seu silêncio grita e fala
É por causa de um Jesus que anunciava
Mas também gritava aos grandes: ai de vós

É por causa do fez João Batista
Que arriscou mas preparou a tua vinda
É por causa de milhões de testemunhas
Que apostaram suas vidas no amor

A Liturgia da Palavra deste quarto domingo do tempo comum do ano c me leva a refletir e descobrir que a missão profética sempre foi difícil. Hoje posso dizer que há muitos sinais que mostram que nossa Igreja deixou de ser profética, mesmo que nela ainda existem muitos profetas, como sem duvida existiram ao longo da história. Hoje não interessa arriscar a vida pelos pequenos e oprimidos, pelos injustiçados, nos falta coragem, fé, para superar o medo e por isso nossas pernas tremem quando temos que tomar postura frente as injustiças.
O exemplo dos que já morreram vítimas do seu compromisso como Dom Oscar Romero ou aqueles que ainda vivos são perseguidos por ser voz dos sem voz como Dom Pedro Casaldáliga, Dom Erwim Kautler, Dom José Luis Azcona... nos mostram que é possível continuar fazendo realidade hoje o projeto de Deus em nosso meio, e ao mesmo tempo denuncia a atitude medrosa de tantos que se calam diante das injustiças para não comprometer sua posição. Mas, será que temos fé  para afrontar as consequências dessa atitude profética?
Os poderosos estão aí, os falsos profetas lhes sustentam em suas atitudes imorais, aqueles que pensam que ter fé em Deus é uma coisas de portas para dentro, que faz parte só da vida privada de cada um, enchem as igrejas das diferentes confissões cristãs... 
Mesmo assim não desisto, já "compliquei" minha vida muitas vezes por minha atitude profética, fui perseguido, injuriado, tentaram acabar com meu nome e quem sabe se também com minha vida..., mas a fé naquele que foi crucificado me sustenta, os milhões de testemunhas que apostaram suas vidas por amor me encorajam e me levam a apostar cada dia mais por uma Igreja profética, continuadora da tradição bíblica, de uma história eclesial que mesmo sem ser reconhecida por muitos, foi elemento evangelizador ao longo dos séculos.
Se acreditar em Deus não me leva a viver pensando em dar a vida pelos outros e sim a pensar que ele resolve meus problemas pessoais... não posso dizer que acredito no Deus de Jesus Cristo. Deixemos de enganar, sejamos fieis àquilo que a Palavra de Deus nos comunica e ao mesmo tempo àquilo que sustentou a vida da Igreja nos momentos de maior dificuldade.