miércoles, 25 de diciembre de 2013

De um Deus que fede a gente foge

Tenho certeza que se alguém fizesse uma pesquisa entre a gente e perguntasse se estamos dispostos acolher Deus em nossa vida todos nós, especialmente aqueles que vamos em qualquer uma das igrejas, íamos dizer que é claro que sim. 

Mas, sinceramente, às vezes temos uma ideia tão besta de Deus que estou convencido que esse Deus em quem tantas vezes pensamos não tem nada a ver com esse Deus menino que nasceu na manjedoura. Digo mais uma vez, Deus tem um rosto humano e nem sempre é aquele rosto bonitinho que aparece nos santinhos, nem sempre é aquele que me ajuda superar noites traiçoeiras. 

Às vezes Deus fede, é doido, "incomoda" nossa vida acomodada, às vezes Deus é um saco... E é nesses momentos que a gente se justifica dizendo: "é claro que nessa pessoa Deus não está presente". A gente ainda não descobriu o Deus da misericórdia e continua pensando que Deus é aquele que premia e enche de bênçãos a quem é bom e castiga a quem é mau. E isso nos afasta cada dia mais Dele...

Deus, veio habitar no meio de nós, se fez carne... e o mundo não o acolheu. Passou quanto tempo? Só posso dizer que estamos igual ou pior...

miércoles, 18 de diciembre de 2013

Aninha: viver para os outros

A gente vai conhecendo pessoas que nos levam a refletir sobre suas atitudes e aos poucos nos mostram que são presença de Deus em nossas vidas.

Hoje participei da homenagem que a Secretaria Municipal de Saúde de Andaraí fez para Aninha, em consequência de sua aposentadoria depois de trinta e cinco anos e seis meses de trabalho. Foram faladas muitas coisas lá, mas o que mais gostei foi o que ela mesma falou: "sou ousada e encrenqueira". 

Acho que o mundo precisa de gente desse jeito, ainda mais quando a ousadia e a encrenca é para criar um mundo mais justo, e em consequência uma vida melhor para as pessoas, especialmente para aqueles que ninguém escuta nem defende. Sei de suas lutas através de seu trabalho e do Conselho Municipal de Saúde, o que tem provocado admiração de alguns e críticas de muitos, especialmente daqueles que vivem de puxar o saco dos outros.

Estou convencido de que gente igual você são sinais do Reino de Deus, de que com atitudes semelhantes as coisas aos poucos podem mudar e que o jeito de Deus pode tomar conta da vida do mundo. Como já ameaçou, continue com suas lutas, vale a pena, o mundo, especialmente os sem voz e sem vez, precisa de você. 

Não desista nunca. Pode contar com meu respeito e admiração. Desfrute da vida, espero que por muitos anos. Deus abençoe você!

viernes, 13 de diciembre de 2013

Como ser sinal de esperança?

Mostrando IMG-20131211-WA0004.jpgComo ser sinal de esperança nos momentos em que a vida se escapa das mãos e não temos condição de explicar o que acontece em volta da gente? Nestes dias me perguntei varias vezes sobre isso e nem sempre é fácil achar uma resposta.
Na vida das pessoas acontecem fatos que marcam a vida e até a condicionam no futuro, situações que não sabemos como explicar e ainda menos como ajudar a superar.
Para mim o desafio é como conseguir que as pessoas sintam que Deus sempre está ao nosso lado, mesmo quando muitos não conseguem percebe-lo e alguns, até renegam Dele, pois permitiu que estas coisas acontecessem. 
Neste tempo de espera, de esperança, sintamos que Deus caminha conosco, acompanha o sofrimento humano, compadece-se com a gente. Acolhamos esse Deus que quer vir e testemunhemos que Ele sempre esteve, está e estará ao nosso lado. Só assim os sinais do Reino vão continuar se fazendo presentes aos olhos da humanidade...

miércoles, 4 de diciembre de 2013

Francisco: santo ou louco

Nestes últimos dias tem aparecido na imprensa mundial uma noticia que diz que o Papa Francisco estaria saindo à noite para evangelizar os mendigos de Roma. 
Ninguém sabe se é certo ou não, mas que isso provoca mal estar em algumas pessoas é claro, porque mostra um rosto do papado "humano demais". Nos últimos anos aqueles teólogos que tentaram mostrar a humanidade de Jesus Cristo, o Jesus histórico frente ao Cristo da fé, se deram mal. Foi colocado em destaque um jeito de entender Jesus Cristo como alguém "divino demais" e isso influenciou na forma de entender Deus e de expressa-lo, especialmente na visão que Roma deixava aparecer aos olhos do mundo.
A chegada de Francisco tem mostrado um jeito diferente, especialmente em atitudes que ele tem para com as pessoas, uma nova visão que eu acho mais própria daqueles que querem construir o Reino. E isso leva às pessoas a tomar postura diante dessas atitudes. Pelo que percebo, Francisco é mais admirado pelos pobres, por aqueles que não contam, do que por aqueles que são importantes, tanto no mundo como na própria Igreja Católica. Para uns é santo, para outros um louco...
A gente experimenta essas atitudes quando toma posturas semelhantes, quando fica do lado do excluídos, daqueles que não contam para a sociedade, que são desprezados... Mas ver essas atitudes no Papa são um sinal de esperança, do Reino, de que o espírito de Jesus continua presente no meio de nós...

sábado, 30 de noviembre de 2013

Tempo de espera e de esperança

Quem tem fé sonha com o Reino, com que o jeito de Deus tome conta dos nossos relacionamentos com tudo o que está em volta da gente. Mas a fé, muitas vezes, não deixa de ser um pensamento sem consequências praticas. 
É aí que aparece de novo esse Deus em quem dizemos acreditar para nos mostrar que está no meio de nós, que Ele assumiu um rosto humano, mas que foi descoberto, enxergado, por poucos, por uma minoria. 
É difícil entrar na dinâmica de Deus, ficar em atitude de espera, ainda mais numa sociedade em que tudo deve ser resolvido para ontem. Os mensageiros de calamidades nos impedem viver com esperança, continuar confiando que as coisas serão melhores, enxergar os sinais que nos mostram que isso é assim, de fato.
Assumir este tempo de espera e de esperança nos leva a entender que Deus sempre esteve, está e estará com a gente, que seu Reino é bem mais do que uma utopia, que Ele vem, mesmo que nem sempre seja reconhecida sua presença. 
É tempo de preparação para poder enxergar melhor, para poder contemplar que a gloria de Deus se mostra de forma mais explicita quando quem está acima se coloca embaixo, quando aquele que vive como Deus, quer viver como ser humano...
Entendamos isto e entraremos na dinâmica do Reino, no jeito de Deus...

jueves, 28 de noviembre de 2013

Lugares que nos questionam

Desde a primeira vez que fui num acampamento de sem terra, no ano 1999, vi que eram lugares diferentes, onde apareciam atitudes que dificilmente se encontram em outros ambientes. Acho que as dificuldades que o povo passa lá, faz que apareçam outras atitudes humanas, que aos poucos desaparecem quando estas mesmas pessoas se tornam assentados.
O sofrimento pelo que muitas vezes  passam me leva a me perguntar até onde chega a capacidade do ser humano para suportar situações adversas, as vezes durante muito tempo, mais ainda neste momento histórico em que parece que a reforma agrária parou e eles são usados por uns e por outros para conseguir vantagens pessoais, políticas, partidárias... que em pouco ou em nada chegam àqueles que mais sofrem e precisam.
Ontem experimentei isto mais uma vez e por isso quero partilha-lo aqui, neste lugar onde coloco tudo aquilo que me faz sonhar com o Reino. Ver a capacidade para festejar com alegria no meio às dificuldades, a disposição para arrumar tudo, renunciando a satisfazer outras necessidades, talvez mais básicas, a capacidade para partilhar e fazer com pouco um momento de alegria.
Aprendamos daqueles que menos tem e sejamos conscientes que nem sempre o muito é o que mais satisfaz e nos faz mais felizes. Que o fato de ter mais não nos leve a deixar de lado aquelas atitudes que um dia nos fizeram felizes.
Sonhemos, é de graça, não percamos nunca a utopia de construir um mundo diferente, de fazer realidade o Reino de Deus.

domingo, 24 de noviembre de 2013

Dia do Laicato

Uma Igreja onde todos e todas somos protagonistas da caminhada... Quando a gente sonha com um jeito de ser Igreja, sonha com este protagonismo comum e no dia do laicato quero refletir mais uma vez sobre o ministério laical e ao mesmo tempo agradecer a Deus por tantos leigos e leigas que são instrumentos Dele na sociedade, na Igreja, em minha vida... mulheres e homens que dão a vida pelas comunidades, pelas pastorais, pelas dioceses, pela construção de um mundo mais justo e melhor. Penso em pessoas concretas, jovens, adultos, idosos, que animam minha vivência da fé, que me levam a acreditar e confiar cada dia mais em Deus.
Não entender o protagonismo laical, continuar apostando por uma Igreja clerical, pensando que o ministério ordenado é superior aos outros ministérios é ir contra o espírito de Jesus Cristo (um leigo), que veio nos mostrar um novo jeito de nos relacionar com Deus. Continuar considerando os leigos como colaboradores dos ministros ordenados nos exclui de entender o desafio comum de construir o Reino. De fato conheço leigos e leigas que tem uma preparação teológica, pastoral, espiritual... igual ou melhor do que muitos ministros ordenados e que às vezes devem aguentar posturas intransigentes de gente despreparado.
Façamos como Igreja que os leigos e leigas sejam verdadeiros protagonistas da caminhada, ofereçamos tudo o que precisam para espalhar a Boa Nova do Reino lá onde se vive a vida do dia a dia, nas famílias, no trabalho, na rua... 
Agradeço a Deus, mais uma vez, por todos os leigos e leigas com quem divido minha fé e que mostram seu grande compromisso na construção do Reino. Peço que aos poucos todo mundo entenda que ninguém é superior a ninguém e que nenhum ministério nos situa acima dos outros.

miércoles, 20 de noviembre de 2013

Tambores de Palmares

Foto: Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra, lutador pelos direitos de um povo, de uma raça massacrada, neste Brasil onde a distancia entre as palavras (leis) e os fatos (modo de tratar às pessoas) é tão, tão grande... Será que algum dia os anseios de Zumbí se vão se tornar realidade?Quando passo no centro de Salvador gosto de contemplar o monumento a Zumbí dos Palmares, seu rosto e seus músculos tensionados, prontos para a luta, para defender uma causa, a do povo negro, tantas vezes perseguido neste Brasil, onde chegaram escravizados em função do lucro de uns poucos que amparados em seu domínio pensaram que eram donos da vida dos outros. 
A história da humanidade é cruel, é repetição constante da história de Caim e Abel, aqueles que devendo ser irmãos se tornaram inimigos, visando ter o que era do outro... até o ponto de acabar com sua vida. 
Quantas vidas já foram aniquiladas por isso, quantos morreram injustamente nas mãos de gente sem escrúpulo, quantos foram perseguidos, excluídos, tratados muitas vezes como coisa que sobra... E o pior de tudo, é que essas atitudes ainda estão presentes na cabeça, no coração, na vida de tantos e tantos. O que fazer para que isto mude? Em que deve se tornar diferente nossa sociedade, a vida de cada um de nós?
Tem uma música de Zé Vicente intitulada "Tambores de Palmares" que me leva a escutar o batuque do povo que sofre, os clamores do povo de Zumbí, um clamor da memória comovente, despertando a história do Brasil, construída por um povo que não foi reconhecido nem como vítima... Mas diante disso devemos olhar para o futuro e sentir o axê da negra gente, perfumando o futuro do Brasil, um futuro pelo que a gente deve lutar para que uma sociedade mais justa aconteça, e para quem tem fé, o Reino de Deus seja uma realidade.

lunes, 18 de noviembre de 2013

A unidade é sinal de Deus

Quantos discursos, palavras, coisas... se disseram sobre a unidade dos cristãos e que pouco se avançou neste sentido. Por isso quando a gente descobre sinais de que isso pode acontecer, tem esperança em que assim seja num nível mais amplo.
Digo isto pelo que vi numa missa neste sábado que passou. Tinha um homem tocando violão e depois vim saber que ele era evangélico. Nem só isso, pois ele participa em diversos momentos na vida da Igreja católica ajudando tocar. Diante de tanto "fogo cruzado" entre católicos e evangélicos, de tantos desprezos mútuos que estas coisas aconteçam, mesmo que não sejam comuns, nos leva a pensar e tentar descobrir caminhos que nos conduzam à unidade que Deus gostaria. Valorizemos estes pequenos passos, sinais, situações..., pois eles nos ajudam a continuar sonhando com o Reino...

viernes, 1 de noviembre de 2013

Motivos para continuar mamando

Tem elementos que fazem parte da vida de uma sociedade que são mostra de evolução, de desenvolvimento. Um desses elementos é a autonomia das pessoas e das instituições como atitude contraria à dependência, às vezes ate extremos doentios.
Mas, como mudar essas situações? Como fazer que as pessoas e as instituições evoluam quando os interesses contrários são maiores e mais poderosos? Como continuar tendo coragem quando denunciar este tipo de atitudes provoca a rejeição de boa parte da sociedade?
A postura oficial é uma, mas quando interessa agir de um jeito diferente se esquecem os princípios fundamentais, as leis que devem marcar a convivência sadia. Porque no final, quem não está interessado em viver às costas do outro?
Aquele que se diz cristão não deve estar interessado, pois o elemento central do cristianismo é o amor ao próximo, dar a vida sem esperar nada em troca. Mas essa é a teoria, pois muitos que se dizem cristãos e dizem pregar a mensagem de Jesus têm atitudes totalmente contrarias e proclamam um Deus que resolve a vida das pessoas por arte de magia..., ou daquele que estiver por perto.
Mesmo assim, digo mais uma vez que não vou deixar de sonhar com o Reino, de tentar descobrir seus sinais, de mostrar que devemos estar para proclamar um estilo de vida alternativo... Sei das consequências, mas acho que vale a pena assumi-las.

lunes, 7 de octubre de 2013

Revoltante

Foto: Faz doer o coração. Até quando vai acontecer estas coisas. Quando um culpado será condenado e presso? Quando o governo vai fazer mais alguma coisa do que colocar a vida dos brigadistas em risco? INDIGNAÇÃO!
Parece que por fim foi apagado o fogo que arrasou boa parte da serra de Andaraí. Nós, moradores daqui nunca poderemos pagar o esforço que os brigadistas fizeram para consegui-lo, mas a revolta é grande, primeiro contra quem provocou isto, gente desumano, sem nada que preste na cabeça, segundo contra quem não disponibilizou os meios para que o incêndio fosse controlado antes de provocar tamanha destruição, seja o IMA, o governo estadual, federal, quem for. Tenho que dizer que a nível local foi feito o que era possível, mas apagar aquele fogo com aqueles meios era impossível.
Porque um Parque Nacional não tem um helicóptero para estas situações? Enquanto os políticos e amamentados afins se deslocam de helicóptero, jatinho... falta aquilo que faria possível que o futuro da região não seja comprometido. Porque? Quantos anos vão passar para poder desfrutar daquilo que foi arrasado? Quando as leis brasileiras vão fazer que os culpados por estas situações paguem por isto?
Quem não diz nada se torna cúmplice, por isso não posso ficar calado.

jueves, 3 de octubre de 2013

Vergonha, vergonha, vergonha

Este foi o sentimento que brotou hoje do coração do Papa Francisco diante da tragédia de Lampedussa, a célebre ilha italiana, visitada pelo Papa no mês de julho para rezar pelos mortos de tragédias similares, onde hoje morreram mais de 130 imigrantes, sem contar os mais de 250 desaparecidos. Eu também fico com vergonha, ainda mais sabendo que no mínimos três barcos passaram perto e não socorreram os náufragos... Às vezes, a espécie humana se mostra como uma das piores que existem na face da terra. 
Diante disso vamos fazer o que? Como pressionar aos governantes que ignoram a sorte daqueles que desesperados vão procurar um jeito de sobreviver? Quantos precisam morrer para que o mundo reaja? Somos indolentes, viramos de fato as costas para aquele que sofre e com isso viramos as costas para Deus, para o futuro da humanidade. Não podemos continuar nesta dinâmica, o clamor dos deserdados é cada dia maior. Não é assim que construiremos o Reino, mesmo que cada dia façamos que rezamos para que assim seja.

jueves, 26 de septiembre de 2013

Sete anos pulando na Chapada

Hoje, 26 de setembro, completa sete anos que cheguei no Brasil. Sempre fiquei pulando, a maioria das vezes no carro nesta estradas abençoadas por onde a gente anda, outras de pedra em pedra até chegar nesse lugares mágicos que a gente contempla cada dia e que nunca cansa de olhar novamente.
Mas o motivo de tanto pulo está na vontade de anunciar o Reino, de mostrar para todo mundo que vale a pena caminhar em comunidade, que nossa Igreja é sinal de vida para muitos e que Deus se faz presente na vida cotidiana, nas pessoas, especialmente as mais simples, que nos encontramos nesse percorrer cotidiano, nas comunidades, nos acontecimentos, nas lutas, na natureza, nos próprios fatos da vida.
Deus já me mostrou tanta coisa boa neste tempo que só posso agradecer por tudo isso. Não sei até onde eu ajudei às pessoas neste tempo, mas que ninguém duvide que eu fui ajudado demais, pois descobri e entendi um outro jeito de me relacionar com Deus e vivenciar minha fé, de me relacionar com as pessoas, de valorizar esse jeito simples que faz parte da vida de tantos, de tomar a vida com mais calma, de não achar que sei mais do que os outros.
É bom fazer memoria, mas a vida segue, e amanhã esperam novos trabalhos, novas pessoas, novos acontecimentos e em tudo isso Deus vai se fazer presente e vai me confiar que continue fazendo minha parte para construir seu Reino. Pode contar comigo, estou aí para o que der e vier!

viernes, 20 de septiembre de 2013

Papa Francisco: eu sou um pecador


Papa Francisco e P. Antonio Spadaro S.J.
Este Papa não tem jeito, cada dia nos desafia a pensar, a tomar postura diante do que acontece no mundo e na Igreja de hoje. A entrevista publicada ontem em varias revistas dos jesuítas do mundo todo e que está sendo capa dos jornais mais importantes é um motivo a mais para isso.
Francisco é alguém que desde o primeiro momento nos surpreende, já na primeira pergunta: «Quem é Jorge Mario Bergoglio?» A resposta é daquelas que ninguém espera: «Não sei qual possa ser a definição mais correta… Eu sou um pecador. Esta é a melhor definição. E não é um modo de dizer, um gênero literário. Sou um pecador». Numa sociedade e numa Igreja onde há tanta gente metido a santo, que alguém a quem muitos chamam de santidade, diga de inicio que a melhor definição dele é, sou um pecador, nos mostra como quem é de Deus vive de um jeito diferente. Só podemos experimentar a misericórdia quando nos sentimos necessitados dela.
Mas a coisa não fica aí, ele não tem medo de pergunta, de responder, sabendo que não é dono da verdade absoluta. Num jeito de viver a religiosidade tão individualista, ele nos diz que "ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado",  precisamos "sentir com a Igreja", destacando assim a importância da vida em comunidade para chegar a Deus, de viver a santidade nos afazeres do dia a dia.
Em palavras do Papa "aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto". A Igreja não pode continuar "se encerrando em pequenos preceitos", somos chamados a ser "ministros de misericórdia... capazes de aquecer o coração das pessoas", deve ser "uma Igreja que encontra novos caminhos, que é capaz de sair de si mesma e ir ao encontro de quem não a frequenta, de quem a abandonou ou lhe é indiferente", e pensa "nos divorciados recasados, casais homossexuais, outras situações difíceis. Como fazer uma pastoral missionária nestes casos?". Não podemos insistir tanto nas questões morais e sim em propor o Evangelho.
Ele diz claramente, sobre o papel da mulher, que  "é necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja", mas sem cair  num “machismo de saias”, pois "a mulher tem uma estrutura diferente do homem... A Igreja não pode ser ela própria sem a mulher e o seu papel. A mulher, para Igreja, é imprescindível".
Ele nos chama a "encontrar a Deus em todas as coisas" tendo "uma atitude contemplativa". Esta é uma atitude inspirada em Santo Inácio, pois a espiritualidade jesuítica está muito presente na vida do Papa. Mas sabendo que "neste procurar e encontrar Deus em todas as coisas fica sempre uma zona de incertezas", pois "se alguém tem a resposta a todas as perguntas, esta é a prova de que Deus não está com ela" (se liguem os donos da verdade!), "é um falso profeta, que usa a religião para si próprio". Diante disso "devemos deixar espaço ao Senhor, não às nossas certezas. É necessário ser humilde". O Papa nos chama a "ter a coragem de abrir novos espaços para Deus.Quem hoje procura sempre soluções disciplinares, quem tende de modo exagerado à “segurança” doutrinal, quem procura obstinadamente recuperar o passado perdido, tem uma visão estática e involutiva. E deste modo a fé torna-se uma ideologia entre tantas... Deus está na vida de cada pessoa... de cada um. Mesmo se a vida de uma pessoa foi um desastre..."
Devemos "ter esperança", "viver na fronteira", e ao rezar nos diz como é que ele faz, se perguntando "Que fiz por Cristo? Que faço por Cristo? Que farei por Cristo?".
Estas e outra muitas coisas que a gente só vai entender lendo e relendo, meditando, aprofundando no pensamento de um homem que é presença do Deus de Jesus Cristo, o Deus da MISERICÓRDIA.

miércoles, 18 de septiembre de 2013

Francisco: imagem clara de Jesus Cristo

Desde há muito tempo acredito neste jeito de ser e de viver, um jeito que me leva a estar mais perto de Deus. Quando fui ordenado sacerdote, mais de quinze anos atrás, escolhi como lema o texto do hino da Carta aos Filipenses, que diz que Cristo "sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens". Por isso esta atitude sempre é um desafio para mim.
Hoje fiquei feliz quando lendo uma noticia, vi como o Papa Francisco, na ordenação episcopal  do seu "esmoleiro", Konrad Krajewski, presidida pelo cardeal Giuseppe Bertello e celebrada na basílica de São Pedro, ontem 17 de setembro, ficou sentado no meio da assembleia, celebrando como mais um, mas sem presidir. 
Estas atitudes nos levam a ver um agir diferente daquele que até agora era comum, descer do trono, ficar no meio do povo, assemelhar-se ao comum dos batizados e batizadas. Nas comunidades têm gente que não entende que às vezes eu esteja celebrando mas não presidindo e seja outra pessoa, leigo ou leiga, quem preside a celebração. Acredito numa Igreja onde todos/as somos protagonistas da caminhada, onde qualquer pessoa pode nos ajudar a nos encontrarmos com Deus. Jesus Cristo é aquele que desce, que se torna mais um e nós nos empenhamos em subir, em ficar acima. Obrigado Francisco, verdadeira imagem de Cristo nos meio de nós! Deus me dei coragem cada dia para imitar seu exemplo!

sábado, 14 de septiembre de 2013

Deus foge da ostentação

Nas coisas do dia a dia somos chamados a descobrir os sinais do Reino, nas coisas simples, pois lendo o Evangelho a gente descobre que Deus foge da ostentação. Hoje participei da Primeira Eucaristia de cinco crianças-adolescentes da comunidade do Setor 04. Fico encantando quando vejo essas coisas, pois a gente percebe que não são feitas para se mostrar e sim por um sentimento de fé. 
Cresci numa realidade eclesial em que estes momentos de Primeira Comunhão eram motivo só para gastar dinheiro e por isso quando a gente vê coisas diferentes se encanta e da testemunho delas. Fazer realidade a Igreja dos pobres tem que se traduzir em atitudes concretas, que nos levem a descobrir o que realmente é importante. Para fazer festa, e estes momentos devem ser de festa e celebração, a gente não precisa gastar muita coisa e sim viver a alegria através da simplicidade, partilhar essa alegria que vem de Deus. 
Como gente de fé somos desafiados a isso, mostremos jeitos diferentes de viver, mais acordes com a proposta que Jesus Cristo nos faz. Assim desfrutaremos mais e seremos melhor presença de Deus.

miércoles, 11 de septiembre de 2013

Obras do Senhor, bendizei o Senhor!

O Cântico de Daniel (Dn 3, 57-88), que faz parte da oração das Laudes, nos leva a louvar a Deus pela criação, por todas as criaturas. Contemplar a natureza é sentir a presença de Deus. Muitos dias sinto essa experiência, mas nos dois dias que fiquei só na Chapada experimentei ainda mais essa mão de Deus, que faz coisas tão belas que só Ele sabe e pode fazer. 
Deus nos da a natureza como presente comum para toda a humanidade e ainda tem gente que se acha dono exclusivo dela e a destrói sem piedade. Diante disso me pergunto como pode existir uma espécie que não preserva aquilo que garante sua própria sobrevivência? 
Saibamos agradecer a Deus por tanta coisa linda que Ele coloca em nossa vida para nosso desfrute, olhemos com os olhos da vida tudo aquilo que está em nossa frente e sintamos nisso a presença do Criador. Obrigado Senhor! Louvado sejas por todas as criaturas!

martes, 3 de septiembre de 2013

CARTA DA 2ª AMPLIADA DAS CEBs REGIONAL NORDESTE 3 DO ANO DE 2013



            Nós, 70 missionários e missionárias, de dezenove dioceses e arquidioceses do Regional Nordeste 3, nos encontramos nos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2013 na paróquia Sagrado Coração de Jesus do Alto do Cabrito (Salvador-BA), para participar de mais um encontro que alimente nossa caminhada. Neste lugar de ruas estreitas, de gente simples, trabalhadora, encontramos o aconchego de quem desde a fé chamamos de irmãos e irmãs.
Um momento de oração deu inicio ao nosso encontro, para logo analisar a conjuntura sócio-eclesial com a ajuda de Ruben Siqueira, da CPT Regional. Partimos de uma frase do filósofo Antonio Gramsci: “Ser pessimista na análise e otimista na ação”, e a partir daí vimos àquilo que está marcando a vida social atual: os protestos nas ruas, o papel da mídia diante disso, a necessidade de uma reforma política, os problemas relacionados com a mineração e a exploração dos recursos naturais...
Podemos concluir diante da realidade que estamos num momento de apocalipse e que somos desafiados a reagir. Mas, ao mesmo tempo, descobrimos no Papa Francisco alguém que dialoga melhor com os pobres, com as comunidades de base.
Logo depois nos reunimos em três rancharias. A primeira, CEBs e o Grito dos Excluídos, assessorada pela Ir. Terezinha Foppa, da Diocese de Ruy Barbosa, nos leva a sentir a necessidade de, como CEBs, assumir o grito dos excluídos, as semanas sociais e a Campanha da Fraternidade como parte integrante de nossa missão em vista da construção de um projeto popular de sociedade rumo ao Reino de Deus, sem perder a motivação pela falta de apoio das autoridades eclesiásticas e o desinteresse do povo.
A segunda, Espiritualidade das Romarias e a Romaria do Padre Cícero, assessorada por Fr. Jorge Geraldo, da Arquidiocese de Salvador, nos faz cair na conta do divorcio clero-povo, da necessidade de resgatar na formação nos seminários um novo jeito de relacionamento dos pastores com o povo. Somos desafiados a dar continuidade às romarias em nossas comunidades. Sente-se a necessidade de estudar o documento de estudo da CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia” para recuperar a ideia de Igreja de CEBs.
A terceira rancharia, Juventude de ontem e de hoje, quais os desafios?, assessorada por Roberjane Ribeiro Nascimento, da Arquidiocese de Salvador,  nos faz um chamado sobre a saída dos jovens da Igreja, diante da falta de atrativo. Frente a isso deve surgir a necessidade de um projeto de Igreja que acolha sem preconceito, com uma linguagem adequada, juvenil, tendo em conta a realidade social diferente e o novo conceito de família.
Encerramos o primeiro dia com um passeio no Pelourinho e uma animada noite cultural.
Nosso domingo começou com a celebração eucarística, para depois tomar consciência da luta do povo tupinambá de Olivença e nos posicionar como CEBs diante das perseguições que estão sofrendo. Foi avaliada a caminhada do Regional e o andamento deste encontro, para finalizar fazendo os encaminhamentos para o 13º Intereclesial, a programação para o ano 2014 e a oração de envio.
Agradecemos a Deus pela possibilidade de ter nos encontrado mais uma vez e a partir da reflexão ter enxergado pistas para fazer realidade seu projeto em nosso meio, especialmente entre os pobres.
Alto do Cabrito, Salvador - BA

domingo, 25 de agosto de 2013

Leis injustas à medida dos poderosos

O evangelho de hoje nos leva a descobrir que a porta do Reino fica fechada para quem pratica a injustiça, a iniquidade. Para mim é tão grave praticar como fazer de conta que a gente não vê as injustiças que acontecem ao nosso lado e por isso não posso ficar calado e deixar que minha indignação aumente ficando de boca fechada.
Ontem de noite ia celebrar na comunidade de Pau de Colher e de caminho vi como tinham botado fogo na fazenda Limão, um fogo que dava arrepio. Parei o carro e mesmo na escuridão tirei uma foto com intenção de denunciar tamanha massacre. Chegando na comunidade comentei a situação e ao respeito me comentaram como o IMA tinha multado um morador de lá porque, em consequência, da imprudência do filho, ainda criança, tinha pegado fogo no quintal dele.
Chegando em Andaraí, para minha surpresa e aumento de minha indignação fiquei sabendo que o fazendeiro tinha a permissão do INEMA e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente para realizar a queima para poder fazer pastagem... Quem faz as leis neste país? Porque os poderosos que acabam com o meio ambiente, que é um bem comum, se dão bem, enquanto os pobres tem pagar as consequências de situações acidentais?  Porque os ricos querem ficar cada dia mais ricos as costas dos pobres ficarem mais pobres? Quando vamos entender que o dia que o mundo acabar, acabará para todo mundo?
Se estas coisas continuam acontecendo é porque quem faz as leis sempre vai procurar seu próprio interesse e porque nós cidadãos olhamos para o outro lado quando quando vemos este tipo de situações, nos tornando cúmplices das injustiças. 

sábado, 24 de agosto de 2013

Poetas e poetisas de Deus

Está acontecendo aqui em Andaraí o retiro diocesano das CEBs, e mesmo sem participar diretamente, pois estou cuidando da coisa comum, tenho observado coisas que me parecem bem interessantes e que no me ponto de vista são sinais que me levam a sonhar com o Reino. Muitas dessas realidades eu coloco aqui, para que assim possam servir de elemento de reflexão para outras pessoas e em consequência possa ajuda-las a sonhar também...
Sempre me encantei com aqueles que são poetas e poetisas, gente que através da linguagem simbólica nos levam a sonhar com realidades diferentes. Reginaldo e Maria José são pessoas que me levam a descobrir isso.
De Reginaldo Veloso poucas coisas novas podem ser ditas, homem de fé, de caminhada de base, de aqueles que valorizam o fermento acima da massa... músico, poeta, autor de tantos cantos e cânticos, de tantas orações populares que ajudam o povo a se encontrar com o Deus da Vida.
Maria José é menos conhecida, mas também é uma mulher singela, animadora de comunidade, mulher da roça, com uma sensibilidade especial para ler e comunicar as coisas de Deus. Em primeiro lugar com seu sorriso que cativa, mas também com essas cantigas sobre a vida do povo que a expressão da vida de Deus.
Agradeço a Deus por colocar pessoas assim em nosso meio, sinto que nem sempre as descubro, mas na medida em que o faço, isso me ajuda a continuar sonhando e vendo que Deus nos fala cada dia e nos marca o caminho a seguir. Só falta segui-lo mesmo.

viernes, 16 de agosto de 2013

Estar presente em todo lugar

No último Intereclesial das CEBs, Dom Moacir Grechy, na época arcebispo de Porto Velho, falou um proverbio africano que tem se tornado muito importante na caminhadas das pequenas comunidades e que define o que estas são: "Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares poucos importantes, consegue mudanças extraordinárias". 
Hoje experimentei mais uma vez que isso é uma realidade, ainda mais em duas comunidades que nem sempre caminharam com firmeza, mas que mostram vontade de continuar avançando. Na primeira era a festa do padroeiro, São Roque, e além de ter preparado as coisas e mostrar que realmente era um dia especial, fiquei surpreendido pela presença de gente de varias comunidades, que foram convidados e responderam ao convite. Na segunda, era a celebração da Primeira Eucaristia de seis adolescentes e jovens, gente que já tem vários anos de caminhada na comunidade.
Em ambas celebrações experimentei esses sinais do Reino que nos animam a continuar lutando em sua construção, a vontade das pessoas de continuar crescendo, o esforço para se fazer presentes na celebração e recarregar as baterias para a vida do dia a dia. Tudo isso é desafiador, mas vale a pena enfrenta-lo.