Em nossa sociedade foi colocado na cabeça do povo que viver no centro é bem melhor do que viver na periferia, que o que o que acontece na periferia é coisa que tem menos valor e até que não presta. Existe uma vontade imensa de ir para o centro, de ficar com o povo do centro... E na Igreja, será que é diferente? No discurso, muitos dizem que é diferente, mas na prática, nos fatos, essa vontade de ficar no centro e de privilegiar o centro está presente na vida de muitos. É engraçado que as pessoas de fé sejam desse jeito, ainda mais quando dizem acreditar nesse Deus que em Jesus Cristo, sendo o primeiro, se coloca o último.
Levando o que o Papa fez ontem para a realidade que vivemos penso na atitude de algumas pessoas diante de fatos que acontecem em nosso meio. Como é possível que o Papa deixe de celebrar no Vaticano para ir celebrar numa paróquia da periferia? Se ele quer ir, pode ir, mas não no horário que pertence ao povo do centro. A gente sempre celebrou nesse horário e essas mudanças atrapalham a vida da gente. Ainda bem que temos um Papa decidido que não se deixa levar pela pressão dos poderosos, pelo número de pessoas que podem estar presentes, pelos resultados econômicos...
Quando vamos sair nas periferias? Quando vamos fazer realidade essa Igreja de comunidades que colocamos no papel? Quando vamos mostrar, decididamente, que o povo do centro não é mais importante do que o povo da periferia? Será que só no centro Deus está permanentemente e nas periferias só quando tem uma folguinha? Quando vamos acabar com aquele esquema do Velho Testamento em que o povo tinha que ir em Jerusalém no centro, para se encontrar com Deus?
Às vezes penso que Jesus veio para nos mostrar um novo jeito de nos relacionar com Deus, mas não conseguiu quase nada. Continuamos com um jeito mais próprio do Antigo Testamento do que do Novo, mas que ninguém fale isso em nossa cara que batemos nele...
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