Tem uma música que tem por título Religião Libertadora cuja letra diz:
È por causa do meu povo machucado que acredito em religião libertadora!
É por causa de Jesus ressuscitado que acredito em religião libertadora!
É por causa dos profetas que anunciam
É por causa de quem morre sem matar
É por causa dos pequenos e oprimidos
Dos seus sonhos, dos seus ais, dos seus gemidos
É por causa do meu povo injustiçado
Das ovelhas sem rebanho e sem pastor
É por causa do profeta que se cala
Mas até com seu silêncio grita e fala
É por causa de um Jesus que anunciava
Mas também gritava aos grandes: ai de vós
É por causa do fez João Batista
Que arriscou mas preparou a tua vinda
É por causa de milhões de testemunhas
Que apostaram suas vidas no amor
A Liturgia da Palavra deste quarto domingo do tempo comum do ano c me leva a refletir e descobrir que a missão profética sempre foi difícil. Hoje posso dizer que há muitos sinais que mostram que nossa Igreja deixou de ser profética, mesmo que nela ainda existem muitos profetas, como sem duvida existiram ao longo da história. Hoje não interessa arriscar a vida pelos pequenos e oprimidos, pelos injustiçados, nos falta coragem, fé, para superar o medo e por isso nossas pernas tremem quando temos que tomar postura frente as injustiças.
O exemplo dos que já morreram vítimas do seu compromisso como Dom Oscar Romero ou aqueles que ainda vivos são perseguidos por ser voz dos sem voz como Dom Pedro Casaldáliga, Dom Erwim Kautler, Dom José Luis Azcona... nos mostram que é possível continuar fazendo realidade hoje o projeto de Deus em nosso meio, e ao mesmo tempo denuncia a atitude medrosa de tantos que se calam diante das injustiças para não comprometer sua posição. Mas, será que temos fé para afrontar as consequências dessa atitude profética?
Os poderosos estão aí, os falsos profetas lhes sustentam em suas atitudes imorais, aqueles que pensam que ter fé em Deus é uma coisas de portas para dentro, que faz parte só da vida privada de cada um, enchem as igrejas das diferentes confissões cristãs...
Mesmo assim não desisto, já "compliquei" minha vida muitas vezes por minha atitude profética, fui perseguido, injuriado, tentaram acabar com meu nome e quem sabe se também com minha vida..., mas a fé naquele que foi crucificado me sustenta, os milhões de testemunhas que apostaram suas vidas por amor me encorajam e me levam a apostar cada dia mais por uma Igreja profética, continuadora da tradição bíblica, de uma história eclesial que mesmo sem ser reconhecida por muitos, foi elemento evangelizador ao longo dos séculos.
Se acreditar em Deus não me leva a viver pensando em dar a vida pelos outros e sim a pensar que ele resolve meus problemas pessoais... não posso dizer que acredito no Deus de Jesus Cristo. Deixemos de enganar, sejamos fieis àquilo que a Palavra de Deus nos comunica e ao mesmo tempo àquilo que sustentou a vida da Igreja nos momentos de maior dificuldade.
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